São 8h30 da manhã. Toca o telefone:
- Alô?!
- Alô. Bom dia.
- Bom dia vó, benção.
- Deus abençoe. Vocês já estão prontos?
- Jazim. Vem lá pelas 9h/9h30.
- Tá bom então. Beijo.
- Beijo.
E assim começou a despedida.
Fomos pra chácara e passamos o dia lá. Tentei por várias vezes falar com meu pai, mas infelizmente não consegui.
As horas foram passando. O coração foi apertando. O dia foi escurecendo.
Depois de um ótimo “Garbanzo”, hora de descanso, mas quem disse que se podia descansar assim?
Eis que pego uma toalha e vou pra um banho. Um banho demorado. Um banho em que a água me revitalizava. Um banho confortante e triste. Em meio à água que descia pelo chuveiro iam minhas lágrimas. Um choro solitário.
Sai já quase todo arrumado do banheiro. Minhas companhias estavam se arrumando.
Hora do até logo.
Primeiro a menorzinha, toda contente, sem nem entender o que estava acontecendo ao certo.
Depois a mais velha, com lágrimas nos olhos. Em seguida a minha eterna Pequena, minha Princesinha, com os olhos vermelhinhos, dizendo que me ama e que já está com saudades.
- Vamos lá fora?
Alguém havia dito, sei lá quem...
Apenas fomos.
O braço em volta da minha cintura. Podia até adivinhar de quem era.
Conselhos de todos os lados me bombardeavam:
- Cuidado com as amizades.
- Pague as contas em dia.
- Estude.
- Vá pra igreja.
- Leia a Bíblia.
- Ore.
- Nos ligue.
E por ai vai...
O abraço demorado: primeiro no “Senhor-dos-Cabelos-Brancos” depois “Naquela-que-sempre-me-guardou-em-suas-mãos”.
Carregamos o carro e seguimos nosso rumo. Meu rumo. MEU NOVO RUMO.
Eis que é chegada a hora.
As lágrimas vieram à tona novamente com os três abraços seguidos de um “Eu Te Amo”.
O Abraço forte. O Abraço doce. O Amável Abraço Materno.
Entrei naquele que seria meu transporte para minha nova jornada.
Alguns minutos de lágrimas pelos olhos e comecei a me sentir em casa.
O coração foi desacelerando e o peito doía menos a medida que o avião ia passando por entre as nuvens.
Um momento de turbulência pra não acabar com toda adrenalina.
Eis que vejo as luzes de uma cidade se aproximando.
E com um baque forte tocamos o chão.
Desço para aguardar a mala.
Saio e, como prometido, ele estava lá me esperando com a chave da minha nova casa.
Muito atencioso me emprestou o celular pra que eu me comunicasse com aqueles que a pouco se despediam de mim e, naquele momento, estavam a centenas de quilômetros.
Cheguei naquele que será meu refúgio e me senti totalmente em casa.
O guarda-roupa claro e escuro. A cama com o lençol azul. O tapete. O sofá. O espelho. O banheiro com a banheira enorme. A cozinha toda cheia de detalhes. TUDO!
O André me fez companhia até que eu me acostumasse, me passou alguns telefones, e me deu umas dicas da cidade.
Assim, tomei um banho, agradeci por tudo e cai no sono, não um sono normal. Um sono leve, mas tranqüilo. Um sono em que o sonho foi uma reconstituição de 21 anos de vida. Cenas de cada momento, cada dia.
E assim terminou um dia e começou uma vida.
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