Ontem completou 14 anos que não sou mais filho único.
No dia 28 de maio de 1995, ocorreu um fato que deixou minha família bem ansiosa. Mamãe entrou em trabalho de parto do seu segundo filho – após algumas tentativas sem sucesso. Porém ela estava com apenas 06 meses de gestação e que, diga-se de passagem, foi bem turbulenta.
Porém, após algumas horas de cirurgia, do esforço médico do Hospital Unimed de Brasília, ouviu-se um barulhinho agudo. Um choro. Choro esse seguido das lágrimas de alegria e preocupação que se misturavam ao suor no rosto daquela mulher que estava ali deitada, atônita, sem fala e linda.
Levamos um grande susto quando chegou a noticia de que aquele “projeto-de-gente”, que cabia na palma da mão do pai, estava com pneumonia, a primeira de outras nove.
Lembro-me de encontrar minha mãe no corredor do hospital. Vestida num roupão branco com
um detalhe verde claro. Ela me mostrou um bonequinho, menor que o “Meu Bebê” – aquela boneca que, muitas vezes, é maior que a dona – dizendo que era meu irmãozinho. Quantas coisas passaram pela minha cabeça...“Será que ela vai esquecer de mim agora?”
“Meu irmãozinho? Mas quem vai cuidar dele?”
“Porque ele é rosa?”
“Eu não vou deixar ele jogar meu vídeo-game. Eu ganhei ele a pouco tempo”
“Ele fala?”
“Ele é tão bonitinho...”
- Mãe, posso pegar ele?
- Ainda não, ele é muito pequenininho. Mas quando a gente for pra casa eu vou precisar da sua ajuda pra segurar ele ta?
Só que o “quando a gente for pra casa” demorou muito tempo. Ele tava tomando minha mãe de mim já.Lembro-me do momento em que ele chegou em casa.
- Êbaaaa! Vai passar o filme da Super-girl!
- Fala baixo William! O Wendel ta dormindo.
O tempo foi passando. Ele foi crescendo. Cabelinho liso, num corte cogumelo. Branquinho. Parecia tão frágil. Sua primeira palavra foi “agu" (Tecla SAP: Água). Sempre gostou de andar de “tarro” ou na “furréta do vovô”.
Passamos tanta coisa juntos.
O muro sobre a cabeça. As noites assistindo aos filmes de terror. Todas as vezes que brincamos de “acampar” dentro do quarto. As vezes em que realmente fomos acampar. As brigas e xingamentos um ao outro. A união quando ele entrou no coro da igreja. A união quando me apoiou na minha decisão de sair do coro. No momento em que chorei aos soluços em meu quarto. Quando ele, em prantos, recostou em meu ombro. Quando, juntos, protegemos a Yasmin e,
também juntos, atazanamos ela como qualquer irmão mais velho.Somos 3. Uma trinca. A Família Real do Baralho. Há um elo muito mais forte que o sanguineo pra nos unir. Há AMOR!
A diferença de idade que antes criava um abismo entre nossos mundos hoje diminuiu e se tornou uma ponte.
Somos amigos, companheiros, rivais e cúmplices. Sobretudo SOMOS IRMÃOS!
Te amo Wendel.
Um comentário:
eita... que fera... olha só meu professor de origami fazendo niver... xD
muito massa...
abração pra vcs!
=]
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